O arco-íris não cabe inteiro em uma flor, mas a Natureza bem que deu seu jeitinho de contornar a situação: criou flores com pétalas e sépalas que combinam dois ou mais tons para enfeitar o jardim com a mesma graça com que o fenômeno multicolorido pinta o céu depois da chuva.

A flor da aquilégia (Aquilegia x hybrida) é um dos membros desse time. Sua beleza é garantida pelo contraste entre as sépalas vermelhas – dispostas como em uma estrela – e as pétalas brancas de fundo rubro – que, por sua vez, despontam com formato levemente tubular.

O melhor de tudo é que a espécie abrange cultivares com diferentes misturas de cores, geralmente combinadas com o branco. Há exemplares branco e lilás, branco e rosa, azul, branco e roxo, branco e laranja e por aí vai.

QUESTÃO DE QUÍMICA

A responsável pela presença de mais de um tom nas pétalas e sépalas das flores multicoloridas é a antocianina, um pigmento natural que, conforme o tipo e a concentração, determina se uma flor ou fruto será vermelho-alaranjado, vermelho vivo, roxo ou azul. Se a distribuição dessa substância pela pétala ou sépala não é uniforme, a flor ganha mais de uma cor.

Quando descobriu a existência da antocianina, a ciência botânica tratou de aprender a manipular a substância para produzir seus próprios pedacinhos do arco-íris, o que resultou no desenvolvimento de muitos dos híbridos que ilustram esta reportagem.

ENTRE O COMUM E O DIFERENTE

Figurinhas carimbadas em jardins mundo afora, as rosas (Rosa hybrid) não poderiam ficar de fora do vibrante grupo das flores multicoloridas. Uma das mais famosas do time é a chamada ‘Ambiance’ (1), que combina pétalas de centro amarelado com bordas rosa. Mas beleza diferente de verdade se encontra no cultivar ‘Saltini’(2): a base de suas pétalas é o pink, mas algumas porções parecem ter sido casualmente borrifadas por tinta branca.

Na ala das tulipas (Tulipa hybrida) – que no paisagismo dos países de clima temperado são tão comuns quanto as rosas –, destaca-se a graça multicor da variedade ‘Lovely Surprise’ (3) (“surpresa adorável”, em português). A combinação de tons que tinge a flor surpreende pela intensidade: cada pétala – de formato arredondado e ligeiramente pontudo – exibe o centro vermelho vivo e vistosas faixas amarelas nas laterais. Chamá-la de “raio de sol” também
não seria exagero.

Muitas vezes, pétalas e sépalas de formato diferenciado garantem um upgrade à beleza das flores multicoloridas. A boca-de-leão-anã (Antirrhinum majus – Dwarf Group) (4), por exemplo, dá origem a uma florzinha tubular de miolo amarelo-esverdeado que conta com dois lábios bem característicos. A figura deles é tão marcante que rendeu o nome popular da espécie. Na foto acima, eles exibem coloração lilás, mas no mercado há cultivares com tons de vermelho, rosa-choque, branco e até mesclados.

O hemerocale-alegreto (Hemerocallis x hybrida ‘Alegretto’) (5), por sua vez, apresenta flores salmão manchadas de vermelho cujo destaque é o desenho das pétalas, dispostas em forma de Y. Largas e redondas, elas são entremeadas por sépalas que, embora despontem mais estreitas e tímidas, fazem toda a diferença na singularidade do conjunto.

Da mesma família, o hemerocale-cassianepereira-velho (Hemerocallis x hybrida ‘Cassiane Pereira Velho’) (6) ostenta um formato igualmente peculiar. O que muda é a intensidade das cores e a maneira como elas se distribuem pela flor: o salmão é um pouco mais suave e o vermelho foi substituído pelo vinhoescuro. Além do centro, ele pinta as bordas das pétalas – que ainda contam com o charme da textura delgada.

CAPRICHO NOS DETALHES

Algumas flores multicoloridas apresentam adornos tão vistosos que poderiam até se passar por obras de um pintor inspirado. Ou vai dizer que as estrias esbranquiçadas que estampam as pétalas do hibisco-gigante(Hibiscus rosasinensis hybrid) (7) não parecem ter sido cuidadosamente feitas à mão?

Nem precisa chegar muito perto para ver: a flor da espécie – que tem um miolo vermelho vivo circundado por tons de coral e bordas amarelas – atinge até 24 cm de diâmetro. Um verdadeiro quadro. Igualmente ricas em desenhos, as flores rosadas do gerânio-inglês (Pelargonium x domesticum) (8) exibem escuras linhas rajadas que partem do miolo em direção às bordas. Nas pétalas superiores, chamam atenção os borrões roxos que se alastram sobre o fundo rosa-claro. Cada florzinha nasce ao lado de outras gêmeas em grupos que se assemelham a pequenos buquês nas pontas dos ramos da planta.

Fonte: Revista Natureza

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