Não será por falta de informações de alta qualidade que os tomadores de decisão vão naufragar diante da necessidade de se proteger uma das maiores riquezas que o Brasil tem, a biodiversidade.

Passei parte da manhã de ontem (8), numa das salas do Museu do Amanhã, onde houve o lançamento, para a imprensa, do Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade & Serviços Ecossistêmicos da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES). A ideia do grupo de mais de 120 pesquisadores, ao juntarem conhecimentos já existentes num único relatório, foi auxiliar os que fazem as leis e decidem pela maioria, com subsídios importantes que deveriam estar na mesa de debates a cada nova medida provisória ou projeto de lei.

Gostei bastante ao perceber que o diagnóstico pontuou, acima de qualquer coisa, o bem estar dos seres humanos, mostrando como dependemos, para uma boa convivência no planeta, da conservação da biodiversidade. Foi bom também notar que o documento, resultado de três anos de estudos, deu espaço amplo para a diversidade cultural, mostrando que vivemos numa nação multicultural, onde nada menos do que cinco milhões de pessoas estão em comunidades tradicionais, ocupando ¼ do território nacional. São 305 etnias, 274 línguas faladas. Não dá para esquecer isto, sob pena de se criar falsas soluções para falsos problemas.

Ao mesmo tempo, o diagnóstico mostra que, das 141 culturas agrícolas brasileiras, 85 dependem da polinização por animais, o que se chama de serviços ecossistêmicos, aqueles prestados pela natureza.

Os porta-vozes da Plataforma que apresentaram o documento à imprensa no evento de ontem foram o biólogo Carlos Alfredo Joly, coordenador da BPBES; o engenheiro florestal e professor Fabio Rubio Scarano e Mercedes Bustamante, mestre em ciências agrárias e referência no bioma Cerrado. O objetivo do estudo é direto: gerar conhecimento para conseguir – ao menos, eu diria – que se cumpram as leis aqui no Brasil. E, em cinco capítulos, estará disponível na íntegra no endereço da Plataforma.

A crise econômica e institucional que vem se perpetuando no país aumenta os riscos da biodiversidade, com perda da produtividade agrícola, aumento da vulnerabilidade a desastres naturais, disseminação de doenças e seus vetores, perda de cobertura de vegetação nativa e aumento das invasões biológicas. A lista de ações sugeridas, que o relatório chama de “novas oportunidades”, não é pequena, tampouco irrelevante. É preciso, com urgência, reduzir a pobreza e a desigualdade, valorizar os produtos nacionais, gerar mais emprego e renda, pensar num desenvolvimento social e econômico que leve em conta tudo isso e prestar atenção à liderança ambiental global.

Fonte: G1

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