BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, à nova mínima histórica de 6% ao ano, e indicou que o processo de afrouxamento poderá seguir adiante em meio ao cenário de fraca atividade econômica, inflação bem comportada, ambiente externo benigno e de avanço da reforma da Previdência.

Este foi o primeiro corte na Selic desde março de 2018, quando a taxa passou de 6,75% para 6,5%.

“O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”, disse o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

“O Copom enfatiza que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e reitera que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, ponderou.

No documento, o BC manteve a projeção de inflação para 2019 pelo cenário de mercado a 3,6%, e para 2020 em 3,9% –mesmos patamares das projeções feitas em junho. Esse cenário considera a Selic encerrando 2019 em 5,50% e permanecendo neste nível até o final do ano que vem.

Em pesquisa Reuters com 27 economistas, a maioria previa uma queda de 0,25 ponto na Selic, enquanto dez apostavam em um corte mais agressivo, de 0,5 ponto, e três viam manutenção dos juros básicos.

Brasil dá início a negociações sobre acordo comercial com EUA, diz Guedes

BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil começou oficialmente a negociar um acordo comercial com os Estados Unidos, disse nesta quarta-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, acrescentando que as negociações são compatíveis com um acordo comercial recentemente fechado pelo Mercosul com a União Europeia.

Falando em Brasília depois de se reunir com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, Guedes afirmou ainda que os EUA querem maior aproximação com o Brasil, incluindo a chance de vender mais etanol ao país.

REPERCUSSÃO – Copom corta Selic em 0,50 p.p. e sinaliza nova redução

SÃO PAULO (Reuters) – O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a uma nova mínima histórica de 6% ao ano, e indicou que o processo de afrouxamento poderá seguir adiante. Este foi o primeiro corte na Selic desde março de 2018, quando a taxa passou de 6,75% para 6,5%.

Veja comentários de profissionais do mercado:

FLÁVIO SERRANO, ECONOMISTA-CHEFE, HAITONG BRAZIL

“Basicamente o Copom deixou a porta aberta para cortar na próxima reunião (em setembro). Ele não se compromete, mas ressalta que no geral você precisa de algum grau adicional de estímulo monetário. A decisão surpreendeu menos pelo corte de 50 pontos-base e mais porque, no caso de uma redução de 50 pontos-base, o BC poderia adotar um discurso mais comedido, e não foi o que aconteceu. O cenário pode permitir corte de mais de 100 pontos-base no total.”

CARLOS PEDROSO, ECONOMISTA SÊNIOR, BANCO MUFG BRASIL

“O ponto diferente em relação ao comunicado anterior é justamente a abertura da possibilidade de novos cortes de juros. O Copom não se comprometeu com alívio de 25 pontos-base, nem de 50 pontos-base, mas o cenário com o qual trabalhamos hoje é de continuidade dos cortes da Selic. Os ruídos gerados com a decisão do Fed não mudam o cenário para a política monetária no Brasil, já que continuamos com atividade fraca e inflação abaixo da meta. E até setembro a reforma da Previdência já estará aprovada na Câmara. Ou seja, o balanço de riscos do Copom estará melhor. Estimamos Selic de 5,5% no fim do ano.”

ZEINA LATIF, ECONOMISTA-CHEFE, XP INVESTIMENTOS

“O corte de 50 pontos-base mostra um BC convicto na estratégia. Mas nas últimas semanas o mercado aumentou aposta em corte de 50 pontos-base, então se o BC pensasse em fazer algo diferente teria ajustado essas expectativas, o que não aconteceu. A comunicação do Fed foi conservadora, mas aqui a reforma da Previdência –principal fator do balanço de riscos do BC– foi aprovada em primeiro turno, e não deve haver desidratação relevante, o que mantém impacto fiscal robusto. Por ora, contudo, vou manter minha projeção de Selic a 5% no fim do ano, uma vez que ainda há incertezas.”

ANNA REIS, ECONOMISTA-CHEFE, GAP ASSET MANAGEMENT

“A decisão não nos surprendeu, porque já trabalhávamos com corte de 50 pontos-base. O que surpreendeu foi o comunicado, que achamos um pouco confuso, com elementos ‘dovish’ e ‘hawkish’. Entre os fatores ‘dovish’, as projeções de inflação e as referências a medidas de inflação subjacente confortáveis. Do lado mais cauteloso, o BC manteve no texto a classificação do risco sobre as reformas como preponderante e também manteve a avaliação sobre incertezas externas, apesar de acharmos que o cenário é benigno. O BC não falou em ciclo e escreveu ‘ajuste adicional’, no singular, o que deixa uma pulga atrás da orelha sobre se haverá mais um corte ou mais cortes. Vamos esperar a ata e mantemos expectativa de Selic em 5% no fim do ano.”

CNI: juros básicos podem cair a 5,25% no fim de 2019

O corte maior que o esperado nos juros básicos da economia pode fazer a taxa Selic encerrar 2019 em 5,25% ao ano. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou comunicado em que considera positiva a decisão do Banco Central (BC). Nesta quinta-feira (31), o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu a taxa Selic em 6% ao ano, com um corte de 0,50 ponto percentual.

A estimativa da CNI é mais otimista que a dos analistas de mercado. A última edição do boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, projetava taxa Selic de 5,5% ao ano no fim de 2019.

Para a confederação, o BC acertou ao reduzir os juros básicos em 0,5 ponto percentual, enquanto a maioria das instituições financeiras projetava corte de 0,25 ponto. Segundo a CNI, o fraco desempenho da atividade econômica, a baixa inflação e o corte de juros em outros países, como ocorreu hoje nos Estados Unidos, favorecem a redução das taxas em países emergentes, como o Brasil.

Na avaliação da entidade, a queda dos juros é importante para estimular o consumo das famílias e os investimentos das empresas e reativar a economia. O comunicado ressaltou a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados foi um passo importante para o início do ajuste das contas públicas. Para a entidade, a aprovação definitiva da reforma abrirá caminho para novas reduções da Selic.

São Paulo

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, elogiou a redução dos juros, mas para ele, apesar de a redução ser positiva, poderia ser maior.

“A redução é positiva, mas já existe espaço para mais cortes na Selic”, disse Skaf em nota. Para o presidente da Fiesp,  uma Selic na casa de 5% ao ano pode estimular a retomada do crescimento econômico e a geração de emprego que o Brasil tanto almeja.

Para o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, a redução dos juros foi tímida e insuficiente, aquém do que o setor produtivo precisaria para fomentar a produção e a geração de novos postos de trabalho. “Entendemos que, com esta queda “conta-gotas”, o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade de promover uma drástica redução na taxa básica de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no país. Mais uma vez, o Banco Central frustra os anseios dos trabalhadores”, afirmou Torres.

Ele disse que os trabalhadores ficaram “frustrados com a decisão” e que espera que, nas próximas reuniões, o Copom adote “uma política contundente de redução” da Selic para que o país volte a crescer, com geração de empregos e distribuição de renda.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) também considerou positiva a redução da taxa. “Reduzir a Selic é indispensável para acelerar a retomada do emprego e diminuir o custo da dívida, o que é muito relevante para um país com alto grau de endividamento como o Brasil”, destacou a entidade, ao apostar que, até o final deste ano, a Selic fique abaixo de 6%.

Rio de Janeiro

A queda da Selic também foi elogiada pela Federação das Indústrias dos Estados do Rio de Janeiro (Firjan). Em nota, a entidade disse que a taxa vai na direção correta, “estimulando o crescimento econômico sem correr o risco de perder o controle da inflação”. A entidade destaca que o baixo desempenho da economia brasileira, refletido na elevada capacidade ociosa das empresas e na alta taxa de desemprego, associado a um cenário externo favorável, com redução dos juros nas principais economias globais, atuam no sentido de aliviar as pressões sobre a inflação e suas expectativas, que seguem dentro da meta estabelecida. 

Para a Firjan, a aprovação da reforma da Previdência no primeiro turno na Câmara foi um grande passo para redução do risco fiscal da economia brasileira, porém, a entidade reforça a necessidade da  concretização desta reforma e a importância da inclusão de estados e municípios.

Fonte:Agencia Brasil

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