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Os caras que andam por cima

10/02/2014


Pitoco

 

Apesar dos esforços para dar alguma fluidez ao trecho entre o trevo Cataratas e o Parque Tecnológico da Coopavel, é sofrido percorrer esses poucos quilômetros. Há relatos de até 1h40 entre um ponto e outro nos horários de pico. O inverso disso o Pitoco experimentou ontem. Um voo de exatos 5 minutos entre o hotel Deville e o Show Rural, com pouso atrás da torre de observação. O helicóptero da carona providencial foi viabilizado pela Next Aviation, iniciativa do empresário cascavelense Liston Jr e parceiros.
Eles perceberam algo bastante óbvio, mas que passou ao largo do olhar dos empreendedores locais. O evento reúne pelo menos dois ingredientes que abarcam crise e oportunidade: o congestionamento da BR 277 em uma “lua” de quase 40 graus em uma ponta, e o poder aquisitivo dos “chapeludos” do agronegócio na outra. Na quarta-feira, o helicóptero fez 52 traslados. O voo leva até quatro passageiros. Cada um “comparece” com R$ 200, uma ninharia, troco de cachaça para executivos das transnacionais de máquinas agrícolas, dirigentes de bancos, comitivas internacionais, parlamentares e altos funcionários públicos.
Ontem o negócio alçou voo novamente. O número de traslados superou o dia anterior e mais de 300 pessoas contrataram voos panorâmicos. “O agronegócio oferece muitas oportunidades e quem veio de avião para cá está com pressa para chegar. Nós atendemos essa clientela”, diz Liston.
Compartilhar – Certo, o Show Rural é uma semana por ano. E aparelho no chão é prejuízo nas alturas. Aqui surge outra iniciativa da Next Aviation. Explorar o filão do compartilhamento de aeronaves, algo já consolidado em outras praças. A iniciativa lembra fundamentos do cooperativismo. Liston está em tratativas com um grupo. A ideia é adquirir um bimotor (seis passageiros) de 1 milhão de dólares para uso compartilhado de quatro cotistas. O custo da aquisição, manutenção e com o piloto é dividido e cada um banca 25% da operação. O uso obedece uma escala flexível, que pode ser adaptada conforme as necessidades.
“Já há oito cotistas firmes, vamos trazer a primeira aeronave em abril”, aposta o líder da turma que anda por cima. Não é mal negócio: um voo na aeronave dos cotistas a 350 km/h em linha reta consome de Cascavel a Curitiba pouco mais de uma hora ao custo de R$ 100 para cada um dos seis passageiros. Que tal?

 

Editorial: Estimativas aferidas junto aos aviadores locais apontam uma frota robusta em Cascavel. São cerca de 30 monomotores para dois lugares, outros dez para quatro lugares, dez bimotores, sete jatinhos e três helicópteros. Ao todo, 60 aeronaves aqui. Neste cenário em que buscamos as nuvens, parece promissora a ideia de otimizar o uso do aparelho por compartilhamento. Usa somente quando precisa com um descontinho de 75%.


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