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Distração e clima desfavorável surpreendem produtores de MT

16/01/2014


Um ataque que impressiona pela destruição que causa nas folhas de uma planta. A falsa-medideira, que até então era considerada uma praga secundária pelos especialistas e de fácil controle, anda gerando grandes prejuízos nas lavouras de soja de Primavera do Leste, em Mato Grosso. A lagarta se alimenta apenas das folhas das plantas e quase não oferece riscos quando bem monitorada. Mas com todas as atenções voltadas à helicoverpa, surgiu a oportunidade desta invasora mostrar toda a sua eficiência.
– Nós tínhamos uma grande preocupação no início que era com a helicoverpa. Isso foi uma preocupação total, a gente não tinha assim que a falsa medideira iria trazer um transtorno que está trazendo para nós agora esses dias. Para nós foi surpresa, é uma praga que está em um índice bastante alto de ataque, e hoje o que a gente tem notado é que o produtor está tendo muito problema no controle dela – conta o presidente do Sindicato Rural de Primavera do Leste, Jair Guarniento.
Mas o consultor do Projeto Soja Brasil, Aureo Lantman, acredita que não foi apenas essa falta de atenção a única culpada pela manifestação da falsa-medideira de uma forma tão acentuada no Estado. Para ele, a ocorrência é motivada por vários fatores:
– Alta temperatura e a questão da umidade, com a estiagem prolongada, faz com que a população da falsa-medideira aumente bastante. Segundo é o uso indiscriminado de inseticida no período vegetativo, sem muito critério. Isso faz que haja uma morte muito grande dos inimigos naturais da falsa-medideira. Isso também vai promover uma população dela maior. E o terceiro fator é o uso de fungicida não seletivo, que acaba matando um conjunto de fungos considerados inimigos naturais desse tipo de lagarta.
O ataque ocorre em um momento crucial para a safra. As plantas estão no período reprodutivo, em plena formação dos grãos.
Uma fase decisiva que requer muita atenção, já que as folhas têm um papel fundamental no fornecimento de todos os nutrientes que o grão precisa para se desenvolver com qualidade. As mesmas folhas, no entanto, são as principais fontes de alimentação desse tipo de lagarta. Embora haja uma margem de tolerância de perdas folheares de 15% para cada área cultivada, a quantidade da praga já acendeu um sinal de alerta.
– É preocupante, porque no estágio que está essa lavoura aqui com mais de 15% de perdas de folha, nós já vamos ter uma diminuição do potencial relativo da variedade – explica Lantmann.
Alerta que já chegou na fazenda de Jaime Coradini, produtor rural na cidade. Nesta safra ele plantou soja em 2,6 mil hectares. A área em que há soja precoce não preocupa, mas em outra, com 380 hectares, a cultivar está em fase de reprodução e a infestação da praga está fugindo do controle. Com o ataque ocorrendo de baixo para cima, o veneno não é eficiente contra a praga. A preocupação mudou a rotina do produtor, que agora monitora a lavoura com maior frequência, na esperança de evitar perdas drásticas na produtividade:
– Se não conseguir matar essa lagarta, aí a gente vai ter que aplicar de novo, e ela comer mais ainda, aí a gente pode falar em um estrago de pelo menos 10% nessa safra.
Na região da Grande Primavera, como é conhecida a área que envolve seis grandes municípios produtores de soja, são 660 mil hectares da oleaginosa. De acordo com o Presidente do Sindicato Rural de Primavera Do Leste, que tem acompanhando a situação em todos esses municípios, o número de propriedades com o índice elevado dessa praga é de 70%.
– Olha está muito preocupante, a gente tem sentado com a nossa equipe técnica e a preocupação é muito grande. A gente sabe que o envolvimento no controle dela não está tendo a eficiência esperada. Então o produtor está preocupado, porque na verdade o ciclo da cultura não terminou, agora nós estamos na metade do ciclo, nós vamos ver lá na frente como é que fica essa situação – afirma Jair Guarniento.
A única certeza por aqui é a de que todo o esforço para salvar o que restou da lavoura consumida pela praga vai gerar despesas que não estavam nos planos.
– Por exemplo, aqui nessa lavoura a gente tinha programado as aplicações para entrar fazendo a fungicida e a aplicação do inseticida. Mas como essa lagarta entrou, a gente teve que antecipar e, por exemplo, no intervalo de aplicação de fungicida, passar uma de inseticida. O custo vai lá para cima, porque além de todo gasto que a gente comprou o inseticida, agora mais esse, que é para matar essa lagarta. Porque o que foi comprado para matar a helicoverpa não serve para essa – lamenta o produtor Jaime Coradini.


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